O “Ano Nacional do Laicato”


11/2017 – 11/2018 “ Quem sou eu? ”, “ Qual o meu papel? ”, “ Qual a minha missão aqui? ”. Todos já nos deparamos com esses questionamentos em algum momento da vida como que tirando o nosso sossego, perturbando a mente e o coração e, por vezes, até tirando a paz, principalmente quando não encontramos respostas imediatas a eles. Mas isso não é ruim, ao contrário, é necessário, é bom para nosso crescimento enquanto pessoas, pois, quem não sabe sua identidade, desconhece de onde veio e para onde vai, corre o risco de esvaziar sua vida de sentido, ou, de acabar num saudosismo nostálgico e apático das boas épocas passadas e, até pior, de cair na tristeza e desespero. Nesse novo ano litúrgico, que vai da solenidade de Cristo Rei em 2017 até a mesma solenidade em 2018, os Bispos de nossa Santa Igreja no Brasil instituíram o “Ano Nacional do Laicato”. A intenção desse ano é convidar todas as Igreja Particulares com as comunidades paroquiais que as formam, a chamar a atenção do povo de Deus, leigos e leigas, e ajuda-los a responder esses mesmos questionamentos que, por muitas vezes, inquietam seus corações e também comemorar os 30 anos do Sínodo Ordinário dos Bispos sobre os Leigos (1987) e da Exortação Apostólica Christifideles Laici que o Papa São João Paulo II publicou a partir das reflexões feitas pelos Bispos e leigos convidados durante o mesmo Sínodo. Quem é o Cristão Leigo e Leiga na Igreja? Antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), o cristão leigo, dentro da Igreja, era definido mais pelo que NÃO ERA: nem Papa ou Cardeal; nem Bispo, Padre ou Diácono; nem Religioso ou Religiosa. E de fato não o somos. Não faz parte de nossa identidade assumir as funções e a missão próprias dos ministros ordenados ou dos religiosos. Nossa identidade é outra e nisso nos ajuda a Santa Igreja, em primeiro lugar, nos ensinando que LEIGO, para Ela, NÃO quer dizer aquele que ignora um assunto, ou que é desprovido de conhecimento, ao contrário, a palavra LEIGO vem do grego e significa “alguém do povo”. Na Igreja de Nosso Senhor somos parte importante do povo que a forma, com vocação e missão próprias, SUJEITOS ECLESIAIS que devem agir dentro e fora da Igreja. Como nos ensina São Paulo, membros do Corpo Místico de Cristo a serviço uns dos outros e, portanto, pelo Batismo, participantes da missão de Nosso Senhor de levar a salvação e anunciar a boa nova a todos os povos. “Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito. Assim o corpo não consiste em um só membro, mas em muitos… Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros.” I Coríntios 12, 12-14, 27. Afinal de contas, qual é o papel dos leigos no Corpo Místico de Cristo? O Concílio Vaticano II o diz claramente: “[é] própria e peculiar dos leigos a característica secular. […] Por vocação própria, compete aos leigos procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus… São chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade. Portanto, a eles compete especialmente, iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais, a que estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas segundo Cristo e progridam e glorifiquem o Criador e Redentor”. (LG 31) Nossa missão de Batizados, nosso papel como Sujeitos Eclesiais, é estar no mundo, sem pertencer a ele e, nas suas diversas realidades: POLÍTICA, FAMÍLIA, BAIRRO, EMPRESAS, COMÉRCIO E ETC., anunciar o Cristo vivo e ressuscitado, nos tornar o Sal da Terra e a Luz do mundo (cf. Mateus 5, 13-14), lema do Ano do Laicato, verdadeiros discípulos missionário de Jesus que, partindo da Igreja onde nos abastecemos da Palavra, do Pão da Eucaristia e da Sã Doutrina, sairemos em missão em favor dos mais pobres, em defesa da vida e de uma sociedade mais justa e fraterna. Esta chamado não é próprio dos ministros ordenados, apesar de serem os pastores que nos acompanharão, orientarão e conduzirão em comunhão com toda a Igreja, não cabe a eles agir diretamente no campo da política, do mundo empresarial, no cotidiano de cada bairro e dentro de cada lar, pois, se o fizessem, a muito teriam que abandonar os cuidados próprios de seu ministério como o atendimento e orientação de todo povo, a distribuição dos Sacramentos, as Celebrações Eucarísticas, o cuidado e a administração das comunidade e muitas outras atribuições. É NOSSA PRINCIPAL MISSÃO TRANSFORMAR ESSE MUNDO PELA FÉ NO CRISTO QUE RECEBEMOS. “O « mundo » torna-se assim o ambiente e o meio da vocação cristã dos fiéis leigos, pois também ele está destinado a dar glória a Deus Pai em Cristo. O Concílio pode, então, indicar qual o sentido próprio e peculiar da vocação divina dirigida aos fiéis leigos. Estes não são chamados a deixar o lugar que ocupam no mundo. O Batismo não os tira de modo nenhum do mundo, como sublinha o apóstolo Paulo: « Irmãos, fique cada um de vós diante de Deus na condição em que estava quando foi chamado » (1 Cor 7, 24); mas confia-lhes uma vocação que diz respeito a essa mesma condição intra-mundana…” (Christefidelis Laici 15). Por isso, durante todo ano a Santa Igreja, em cada comunidade paroquial, nos convidará e nos ajudará no estudo desses documentos tão importantes, entre eles também o Doc. 105 da CNBB – “Cristãos Leigos e Leigas na Sociedade”, fonte profunda de formação e um impulso à vocação leiga no Brasil; o Doc. 107 da CNBB – “Iniciação à vida cristã: itinerário para formar discípulos missionários”; a Doutrina Social da Igreja, riquíssima e ainda uma ilustre desconhecida para muitos de nós além de, nos momentos celebrativos, rezar o oração do Ano do Laicato e incentivar e promover a participação dos leigos e leigas na vida da comunidade. Que esse “Ano do Laicato” nos ajude a bem viver e compreender melhor o quanto somos amados por Deus, importantes na vida Igreja e essenciais para a transformação da sociedade, assim, todos seremos mais realizados e felizes. Seu irmão em Cristo, Leonardo David D’Alóia Assessor Diocesano para o Laicato Diocese de Nossa Senhora do Carmo – Jaboticabal/SP

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