São José, o maior devoto da Virgem Santíssima


As Escrituras se referem a São José como um homem “justo” que, descobrindo a gravidez de Maria e “não querendo denunciá-la publicamente, pensou em despedi-la secretamente” (Mt 1,19). Alguém poderia perguntar como José podia ser justo e, ao mesmo tempo, ter querido dispensá-la em segredo, se a Lei mandava que o caso fosse julgado às claras.

Os primeiros padres da Igreja, como Orígenes, São Jerônimo, São Basílio Magno e Santo Efrém, são da opinião que José não duvidava da honestidade de Maria, mas “queria deixá-la porque sabia que se tinha operado nela um grande mistério e se considerava indigno de viver em sua companhia”. Foi então que o anjo apareceu a ele, comunicando-lhe a eleição que o próprio Senhor tinha feito de si: “José, Filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo” (Mt 1,20).

São José e Maria Santíssima eram realmente esposos e se amavam com verdadeira caridade. Infelizmente, tomados por uma visão distorcida de amor, olhamos para o casamento como uma realidade apenas carnal, quando o matrimônio é uma aliança eminente e essencialmente espiritual, transformada por Nosso Senhor em sacramento, sinal do seu amor pela Igreja (cf. Ef 5,21-33).

Santo Tomás de Aquino recorda que o amor pode ter vários objetos: Deus, nós mesmos e o próximo. No entanto, um só deve ser o objeto formal do amor: Deus. Isso significa amar todas as pessoas por causa de Deus. Dentro do matrimônio, isso quer dizer aproximar-se do outro como quem se aproxima do Santíssimo Sacramento.

Há uma história famosa relacionada aos monges do Egito que ilustra como os homens de Deus, ao olhar para as criaturas, glorificam o Criador. Enquanto caminhavam na estrada, alguns monges se depararam com uma prostituta, diante da qual, para não pecar, todos viraram o rosto. Um dos monges, no entanto, olhando fixamente para aquela mulher, começou a chorar, pois tinha enxergado nela a grandeza de Deus. Se isso aconteceu com um simples religioso que avistou uma prostituta, quanto mais não aconteceria com São José e com a bela Virgem Maria, cuja alma resplandece diante do Senhor mais do que todas as criaturas! Não sem razão, esse santo homem, contemplando a suma dignidade de Maria, temia tomá-la por esposa, pois enxergava as maravilhas que o Todo-Poderoso havia feito nela (cf. Lc 1,49).

Muitos de nós tememos consagrar-nos inteiramente a Nossa Senhora porque, olhando os nossos pecados, nos achamos indignos de ser seus escravos. Também a nós o anjo do Senhor diz: “Não tenhas receio de receber Maria por sua Senhora”. Que, de fato, a recebamos e, assim como São José, a amemos por causa de Deus. Amemos Maria por gratidão a Nosso Senhor, que verdadeiramente a entregou a nós como Mãe, quando disse ao discípulo amado: “Eis aí a tua mãe” (Jo 19,27).

Assim como São José não teve medo de dedicar toda a sua vida para servir a Deus por meio de Nossa Senhora, não temamos recebê-la por Mãe e consagrar-nos a Cristo por suas mãos.

Fonte: padrepauloricardo.org

Pe. Paulo Ricardo

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