Seduziste-me, Senhor!


Esta exclamação ousada do Profeta Jeremias brotava do coração de alguém que fora chamado por Deus para anunciar sua Santa Palavra a um povo incrédulo. No desempenho desta missão, Jeremias foi aprisionado e lançado numa cisterna para morrer (cf. Jr 37,11-38,13). Após muito padecer, desabafava-se junto ao Senhor como quem se queixa de haver sido ludibriado ou chamado para uma tarefa que ele não imaginava tão ingrata. Apesar de tudo, Jeremias permaneceu fiel a Deus até o fim de sua vida.

O caso de Jeremias é, por assim dizer, um modelo da sorte que toca a todos aqueles que desejam firmemente seguir a Deus e tornarem-se arautos de sua mensagem de salvação. Haverá sempre que enfrentar resistência e incredulidade, pois o plano de Deus é mais sábio do que a sabedoria dos homens e, por isso, não cabe dentro da mente de quem o quer julgar segundo categorias meramente naturais.

No Novo Testamento, a loucura e o escândalo do desígnio de Deus se concretizaram na Cruz de Cristo, feita Árvore da Vida. Entre os grandes mensageiros da Palavra de Cristo, destaca-se o Apóstolo São Paulo. Chamado por Deus para anunciar a Boa Nova, sofreu longa série de provações, que o próprio Paulo enumera em 2Cor 11,23-27: “Muitas vezes vi-me em perigo de morte. Dos judeus recebi cinco vezes os quarenta golpes menos um. Três vezes fui flagelado. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei. Sofri perigos nos rios, perigos por parte dos meus irmãos de estirpe, perigos por parte dos gentios… Mais ainda: fadiga e duros trabalhos, fome e sede, frio e nudez!”. Apesar de tudo, o Apóstolo, fazendo um retrospecto, escrevia no fim de sua vida: “Sei em quem acreditei” (2Tm 1,12). Sim, Paulo sabia que não colocara a sua fé num mero homem nem numa facção humana, mas a entregara a Cristo, que não haveria de decepcioná-lo. Por isso, em meio às suas múltiplas dores, podia afirmar: “Estou cheio de consolo, transbordo de alegria em todas as nossas tribulações” (2Cor 7,4).

“Sei em quem acreditei…” – eis a fórmula cristã que dissipa a reação espontânea do Profeta: “Tu me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir”.

Ora, ser cristão implica entrar na linhagem dos grandes amigos de Deus, que se deixam seduzir pela Boa Nova. Esta seduz porque é bela e profunda, mas será sempre exigente, desafiante e, ao mesmo tempo, irresistível: “Senti no meu coração um fogo abrasador… Esforcei-me por contê-lo, mas não o consegui” (Jr 20,9).

Fonte: D. Estêvão Bettencourt

Por Paulo Francisco Tellaroli

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